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Try Fest – A natureza de todas as danças

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O conceito de um novo festival que alia música electrónica, arte urbana e um espaço bonito, cedo despertou a nossa atenção. Falo do Try Fest, o novo festival do panorama lisboeta que, no passado dia 6 de maio, invadiu o antigo picadeiro do Colégio dos Nobres, paredes meias com o Jardim Botânico, em pleno Príncipe Real.
Os frequentadores assíduos da noite lisboeta, certamente já se cruzaram com vários dos nomes do cartaz do Try Fest.

É o caso de Sonja, uma das grandes anfitriãs do Lux Frágil e cabecilha da
Labareda, label que explora as sonoridades electrónicas made in Portugal, que podem ser ouvidas na sua residência bimensal na Rádio Quântica. Sonja tocou então para os (poucos) curiosos que chegaram ao recinto ainda com luz do dia. Passando os portões do Jardim Botânico, ninguém ficou propriamente indiferente à atmosfera criada para o festival. Luzes de várias cores iluminavam o corredor de palmeiras, tornando-as ainda mais “instagramáveis”, enquanto o pianista Máximo Francisco fazia ecoar melodias, qual “piano bar”, junto às bilheteiras.

Recuperado, com jogos de luzes perfeitamente adequados à banda sonora, o antigo picadeiro parece agora um club lisboeta de excelência, com os BPMs a fazer tremer o chão de um espaço amplo, de tecto alto, onde, como não poderia deixar de ser, não faltaram pessoas bonitas a dançar com balões de gin na mão. Contudo, não foi possível não notar a pouca afluência ao longo de toda a noite, certamente consequência da concorrência por parte de outros eventos, mas também do preço dos ingressos, inflacionado para uma primeira primeira edição (e que talvez tenha justificado a descida de última hora para metade do preço para quem decidisse mudar de planos à última hora e visitar o Try Fest a meio da noite).

Mas voltemos à música. Uma das grandes atracções do cartaz foi sem sombra de dúvidas Jayda G. Produtora e DJ australiana, dona de uma presença inconfundível, que nos faz reproduzir um clássico da televisão portuguesa e querer perguntar-lhe “onde é que arranjaste tanto estilo?”, Jayda G brindou-nos com os seus discos que passam pelo funk, soul, nu-disco, e que contagiam qualquer um, de tão boa onda que são.

A noite avançava e nas poucas pausas para recuperar a energia e o fôlego necessários para dançar mais, foi possível contemplar alguns “artistas-urbanos” a trabalhar ao vivo e a cores, criando painéis alusivos ao festival, no espaço exterior do recinto.

À meia noite subiria ao palco DJ Glue, que dispensa apresentações, ou não o conhecêssemos já desde o tempo em que acompanhava os Da Weasel nos pratos. Num pot-pourri de géneros, Glue apostou principalmente em grandes malhas de hip-hop, como não poderia deixar de ser, estendendo a passadeira para Darksunn, que actuaria logo de seguida. O produtor da margem sul conseguiu cativar toda a gente com um set muitíssimo bem planeado, transições exímias e muito abanar de ancas. Props especiais para o mash-up DNA (Kendrick Lamar) vs. Moves (Big Sean).

Para fechar com chave de ouro esta edição zero do Try Fest, Darksunn comandou as tropas até à hora do fecho. Já o conhecemos de outras andanças, como a residência no Copenhagen, o podcast Darksunn Days ou as noites da crew Monster Jinx. Mais uma vez, Darksunn não só não desiludiu, como surpreendeu com o set que só conseguimos descrever com vernáculo ou com um *fire emoji*. Do hip-hop da nossa praça, de Rihanna, a Migos, passando pelo grande Sango (que passou por Portugal há uns meses, tendo sido Darksunn a fechar a noite da sua actuação) e a fechar em beleza com Mask off, de Future, que para além de já andar a rolar em repeat há umas semana, agora tem também videoclip oficial.

A noite terminou cedo, permitindo que os mais resistentes continuassem a festa por essa Lisboa fora. Apesar de pouco povoado, o Try Fest revelou-se um festival bem simpático, capaz de nos fazer dançar mais que a conta e celebrar a amizade. É para isso que servem os festivais, não é? Maybe we can try (fest) again.

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Joana Esperança Andrade (texto)

Foto: Try Fest

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