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Portas e corações abertos para o Sofar Sounds

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O conceito vem de fora, mas Portugal, com fama e proveito de ser um país acolhedor, recebeu-o de braços abertos. O projecto chama-se Sofar Sounds e uma vez por mês recebe concertos (gratuitos, mediante inscrição prévia) surpresa, em sítios igualmente secretos, alguns deles bastante improváveis para receber espectáculos. Na verdade, no site do projecto, existe uma opção para “host”, onde qualquer utilizador que tenha um espaço com capacidade para receber o Sofar Sounds se pode voluntariar a receber o evento. Amigos com casas fixes, residenciais e afins: esta é para vocês.

Cada tarde recebe 3 concertos, cada um deles com meia hora de duração. Na quadragésima edição em Lisboa, o Sofar Sounds escolheu o antigo edifício (lindíssimo!) da Emissora Nacional, agora reabilitado e transformado em Museu da Rádio, aka Radio Palace, para receber estreantes e repetentes nesta coisa dos concertos surpresa.

Depois de explorar o espaço, os cartazes indicam-nos, finalmente, quais as actuações da tarde: Mau Olhado, Matheus Paraízo e Bernardo.

Mau Olhado é João Cardoso, um virtuoso guitarrista que explora as potencialidades dos loops e da sua guitarra, criando melodias onde tudo bate certo, nos tempos certos, deixando muitos dos presentes a abanar a cabeça. Quem não conhecia o seu trabalho, muito provavelmente ficou com vontade de explorar mais. Restou saber como soariam as suas canções em mais que meia hora. Mas não deixou de ser um bom aperitivo.

Seguiu-se Matheus Paraízo. Num one-man-show só de voz e guitarra, Matheus Paraízo já havia ficado conhecido do público quando participou na edição portuguesa do Factor X. Com uma voz doce e melodias calmas, foi claramente uma escolha acertada para o alinhamento.

Coube a Bernardo fechar a tarde e a trilogia de concertos. Não se deixem enganar pelo nome artístico, que na verdade é o apelido de Sónia Bernardo, uma jovem bonita, dona de uma voz fora do vulgar que nos faz perdoar quando se esquece das suas próprias letras. Com umas pinceladas de soul, os temas de Bernardo pareceram ser escritos à medida para a tarde quente que se vivia. Fixem bem este nome, porque esta menina vai certamente dar que falar. Felizmente, tivemos esta bonita oportunidade de a ver e ouvir.

Terminada a tríade de concertos, a hora e meia de música oferecida pelo Sofar Sounds, juntamente com os cocktails oferecidos pela conhecida marca de whisky que patrocina o evento, foram uma lufada de ar fresco no meio das temperaturas altas que se fizeram sentir em Lisboa. Já sabemos o que fazer quando não tivermos planos para sábado à tarde. Fazer o trocadilho “Sofar, so good” tem tanto de ridículo quanto de verdade. Aplaudimos de pé esta iniciativa e vamos voltar com toda a certeza.

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Joana Esperança Andrade (texto)

Nuno Alex (foto)

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