Miyazaki

O maravilhoso mundo de Miyazaki

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Por: Bruna Oliveira

O realizador nipónico de animação mais adorado de sempre fez 75 anos no dia 5 de janeiro. E que melhor altura para festejar a sua existência e filmografia? Nascido em Tóquio, Miyazaki estudou Economia mas desde cedo enveredou pela animação, tendo o seu início de carreira na companhia de animação Toei Animation como desenhador e ilustrador.

Após a saída da Toei Animation, dirigiu a série Conan, o Rapaz do Futuro e realizou o seu primeiro filme, O Castelo de Cagliostro, da série Lupin III. Segue-se Nausicaä no Vale do Vento, filme que marca o início das temáticas recorrentes na filmografia de Miyazaki, como a ecologia, o anti belicismo (influenciado pela infância marcada pela guerra) e o retrato não convencional das personagens, com protagonistas femininas fortes. Neste caso, temos Nausicaä, uma corajosa princesa que luta pela preservação da natureza e tenta salvar o seu povo das ações bélicas. É no seguimento do sucesso alcançado com Nausicaä no Vale do Vento que Miyazaki funda, juntamente com Isao Takahata (realizador do poderosíssimo e devastador O Túmulo dos Pirilampos e das famosas séries Marco e Heidi) e Toshio Suzuki, o Ghibli Studio, berço das suas criações mais famosas e que lhe conferiram reconhecimento mundial.

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E foi do Ghibli Studio que vi pela primeira vez, aos 12 anos, um filme de Miyazaki, A viagem de Chihiro, que narra a estória de Chihiro e a sua incursão num mundo fantástico, repleto de criaturas peculiares, resultado da gula dos seus pais transformados em porcos. Lembro-me da sensação estranha que se instalou em mim enquanto via o filme e o quanto pensei nele nos dias seguintes. Tudo aquilo era muito estranho, surreal, assustador… Mas de uma forma completamente encantadora e viciante. Na altura não fazia ideia de quem era o realizador e passaram vários anos até vir a descobrir o seu nome e iniciar uma expedição cinéfila aos seus mundos fantásticos. Desde o psicadélico e icónico  O meu vizinho Totoro, ao mais infantil Ponyo à beira-mar, passando por Porco Rosso e o mais recente As Asas do Vento que revelam o fascínio de Miyazaki pela aviação, ao mais adulto e completo, Princesa Mononoke, todos os seus trabalhos são dotados de uma beleza visual arrebatadora, repletos de conteúdo e mensagens fortes e impactantes com muito entretimento à mistura.

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Frequentemente apelidado de “Walt Disney do Japão”, considero que não há comparação possível. Nos mundos de Miyazaki não há princesas frágeis à espera de serem salvas, elas são heroínas, independentes, corajosas e fortes; não há uma divisão maniqueísta do comportamento humano, há personagens complexas com valores e traços de personalidade ambíguos; há mensagens ecológicas e pacifistas. São constantes as reflexões sobre a natureza vs tecnologia, tradição vs modernidade, há o mito, a fantasia e o folclore oriental em consonância com estas reflexões de valores e comportamentos, resultando em experiências completas que não visam só entretenimento mas que apelam a uma consciência coletiva por estas causas.

Com As Asas do Vento, Myizaki anunciou a sua aposentadoria da realização, deixando o mundo da animação mais triste, tal como foi anunciado um hiato nas atividades do Ghbli Studio. Em jeito de retrospetiva, vale conferir um tributo que um fã de Miyazaki colocou no Vimeo que homenageia o seu belíssimo e impactante trabalho numa junção de vários filmes do mestre, invocando a nostalgia dos mais fantásticos mundos já alguma vez criados na história da animação japonesa e mundial.