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O dia em que o Coliseu ganhou asas

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Para falar do que aconteceu no passado dia 20, no Coliseu de Lisboa, é preciso primeiro contextualizar: inspirado na cultura sound clash jamaicana, o Red Bull Music Academy Culture Clash é um evento musical de confronto entre crews nascido em Londres. Organizado em rounds, a premissa da batalha é simples: ganha a crew que contar com maior apoio do público. Para isso, as equipas preparam sets com dubplates, resultado de várias influências (seja eletrónica, global, hip-hop, etc.), e têm como principal objetivo mostrar o melhor de si, cativando aqueles que têm o poder de decisão sobre o vencedor: o público. Esse apoio é medido por um sonómetro de serviço, capaz de traduzir em número de decibéis o entusiasmo do público relativamente às crews.

Tendo já passado por Nova Iorque, São Francisco, Miami, Roterdão, e tantas outras cidades, chegou a vez de Lisboa receber esta batalha sonora.
Quatro foram os palcos que receberam as quatro crews em confronto: Club Atlas (Branko, Riot, Kalaf, Pongolove, Carlão e Fred Ferreira), Moullinex Live Machine (Moullinex, Xinobi, Da Chick e The Legendary Tigerman), Matilha (DJ Ride, Jimmy P e MGDRV) e Batida + Kambas e o Próprio Kota! ( Batida, DJ Satélite, Karlon, André e Gonçalo Cabral, Bernardino Tavares e Bonga). Devendo dar primazia a dubplates exclusivos para o evento e proibidos de replays, as crews defrontaram-se em 4 rounds, cujas transições, controlo de regras e apresentação estavam ao encargo dos hosts Alex D’Alva Teixeira e Gisela João.

jpm_20161020_rbcc_altas_0016©Red Bull Content Pool

A noite foi aberta com o Teste de Pressão, o primeiro round que se traduzia numa pequena amostra de cada crew.
Começaram Club Atlas, que entusiasmaram com versões de Da Weasel e Buraka Som Sistema e deixaram claro o seu hip-hop e kuduro eletrónicos. Moullinex Live Machine apresentaram-se dançáveis – mas pouco mais que isso. Seguiram-se Matilha que, personificando na perfeição o nome do coletivo, subiram a palco ferozes, de lenços na boca e bandeiras em punho, prontos atacar e defender. Os últimos desta apresentação foram Batida e os seus ritmos com cheirinho a África, que prometiam uma pista de dança animada em frente ao respetivo palco.
Não havendo pontuação nesta primeira fase de aquecimento, seguiu-se a Selecção, segundo round da noite. Aqui o assunto começou a ficar sério. Cada crew teve 10 minutos para apresentar um set pautado pelo conhecimento, apostando no alinhamento e estilos musicais. Foi a crew de Batida quem acabou por levar a taça nesta etapa, ao apresentar um set animado e intenso, acompanhado pelas hipnotizantes presenças  em palco de André e Gonçalo Cabral.
Em Dormindo com o Inimigo, terceiro round, as crews eram desafiadas a tocar os estilos dos oponentes. O gozo dos coletivos em trocarem de papéis era notório, o que se traduziu num round estimulante, competitivo – a “dica” marcou aqui presença – mas, simultaneamente, brincalhão. No fundo, um ambiente de “energia saudável”, como fez questão de sublinhar mais à frente Jimmy P. O público acabou por eleger vencedor desta fase a crew de Moullinex, que contou com a participação de Best Youth, Marta Ren e Mike el Nite.

jpm_20161020_rbcc_altas_0020©Red Bull Content Pool

A competição rolava num crescendo e rumava-se agora para o Juízo Final, quarto e último round.
Era a altura de se jogarem as últimas cartadas e  de se dar o tudo por tudo no combate pela vitória. Club Atlas trouxeram-nos Nelson Freitas, Richie Campbell e tocaram uma versão da “Dialetos de Ternura”. Moullinex Live Machine levaram a palco um coro de Gospel, simularam um Carnaval e em 15 minutos alucinantes fizerem tudo acontecer. Já os Matilha, fizeram-se valer de uma lista de convidados de valor, com Capicua, Dillaz, Valete e Conductor.  No entanto, a vitória da etapa foi para Club Atlas, que acabou por levar também a taça de grande vencedor do Red Bull Music Academy Culture Clash.

Terminava assim o primeiro Culture Clash em Portugal. Colocando de parte alguns problemas de som inerentes à sala, ficou no ar o desejo pela segunda edição, onde talvez se possam ver algumas falhas  melhoradas. E se “primeiro estranha-se, depois entranha-se”, o público português recebeu muito bem o conceito e evento. No fundo, quem mandava lá era ele.

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Inês Sousa Vieira (texto)

Mariana Lopes e Red Bull Content Poll (fotos)

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