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NOS Primavera Sound: Don’t forget to “Pray for the LORDE”!

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Se quisermos resumir numa expressão o 1º dia de NOS Primavera Sound aquela que usamos para o título deste artigo serve na perfeição. Lorde, assumiu o lugar de divindade numa noite, mística e fantasiosa entre tons acinzentados e uma neblina que marcou o primeiro dia, mas em nada cinza  ou frio na energia e beleza trazida por um final de tarde e noite de uma atipicidade que se quis.

O Primavera de 2018 resolveu romper com a mesmice de edições anteriores e  assim que entramos somos surpreendidos com introdução do palco Seat, onde o único problema é a tentação que surge de querermos lá ficar a “primaverar” toda a noite! Com bancadas laterais, sem dúvida que nos trouxe um impacto positivo e nos fez perceber a sua capacidade agregadora e que parte das surpresas do melhor que se iria passar no festival ali iria acontecer.

No primeiro dia assim aconteceu com muito boa afluência para os concertos num consensual Father Jonh Misty e Tyler The Creator que mostrou ter muitos seguidores fiéis e voltados para um género de musicalidade que cada vez mais toma de assalto os festivais urbanos.

Mas esta era a noite Lorde, de menina-adolescente num passado recente apresentou-se agora com maturidade e visíveis diferenças na sua musicalidade e postura em palco, sobretudo em comparação com a artista que se apresentou em 2014, em Portugal. Com vestes douradas de ser etéreo,  esta forma de estar aprimorada valeu-lhe uma actuação que conseguiu tocar e agarrar de forma transversal a todas as gerações ali presentes, sendo que o louvor de paixão mais efusiva do início ao fim vai para geração que com ela se desenvolveu. Algo que a própria fez questão de referir durante muitas das suas intervenções e interacções com o público, perguntando a determinada altura quantos dos que ali estariam acompanhavam a sua aventura há mais de 4 anos e que hoje possivelmente teriam a mesma idade que ela, obtendo um retorno entusiasta e cheia de afectos dos que naturalmente se identificaram. Aliás o concerto de Lorde fica marcado por isto mesmo, a sua capacidade de interação e aproximação ao público, algo que os Portuenses tanto gostam. Entre reflexões e partilhas -por vezes inocentes- de estado de alma e agradecimento ao maravilhoso público do Porto e o estado do tempo entre as neblas  ajudava-lhe a conectar e a criar o ambiente que ela mais gosta, como a própria fazia questão de o afirmar. Guardou o melhor para o fim com “ Team” e “Green Light, arrecadando como reconhecimento sorrisos nos muitos corpos presentes e envoltos numa sintonia que se devolvia dançante.

Depois de uma Lorde que absorveu todo o protagonismo coube a Jamie xx fechar a noite no palco principal, um DJ set que teria sido bom não fosse Moullinex no concerto anterior ter mostrado créditos suficientes com um contágio geral, digno de honras de fecho.

A nós Curly Mess captou-nos o interessante grudar que tivemos pelo 2º concerto no palco Seat, Twilight Sad e pelo embalo de Rhye, muito influenciado pelas cores que o final de tarde apresentava, uma combinação naturalmente cénica e melodicamente apelativa.

Para o dia de hoje destacamos os concertos de Fever Ray, Unknown Mortal Orchestra, Thundercat e Floating Points em formato live.

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Helder Aires

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