Magaly Fields

Magaly Fields: magnetizando novos públicos

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Uma das bandas mais promissoras do actual panorama Rock tocou no Stairway, em Cascais. E nós não deixámos passar a chance de lhes dar uma palavrinha.

Chamam-se Magaly Fields, são chilenos, actuaram o ano passado no Primavera Sound de Barcelona, e têm andado pela Europa a dar a conhecer o seu novo EP, Blended Souls. Onde foi gravado este EP? Numa das míticas salas do estúdio de Abbey Road, onde a história dos Beatles teima em invadir os corpos de quem lá entra.

 Bom, se calhar o melhor mesmo é apresentarem-se…
(risos) Bom, somos os Magaly Fields, uma banda de “Punk n ́Roll”. Começámos em 2011, mas eu (Tomás Stewart, voz e guitarra) e o Diego (Cifuentes, bateria) já nos conhecemos desde a primária!…

Vocês estão neste momento a promover o Blended Souls, o vosso novo EP. Baseado na vossa experiência de estrada que têm e nos concertos que já deram, têm uma ideia de quem é o vosso público?
Mais ou menos… Durante os nossos primeiros tempos enquanto banda andávamos à procura de uma identidade, até que percebemos que não conseguiríamos nunca limitar-nos ao punk, ao psicadélico, ao blues. Ao mesmo tempo que chegámos a essa conclusão, sentimos que a música que outras bandas novas estavam a fazer também tinha uma dimensão algo plural e nada restringida a uma só vertente do rock. Isso faz com que todos tenhamos uma singularidade que é apelativa para o público jovem, para o público desta geração que tende cada vez mais a ser aberto a experienciar coisas novas.

Mas há excepções…
Sem dúvida! Em França, por exemplo, são os quarentões resistentes da era do punk quem mais vibra com as nossas actuações! São completamente doidos!… (risos). Acima de tudo, queremos transmitir boas vibrações e energia a quem ouve a nossa música. Queremos que as pessoas saltem, gritem, dancem, façam um mosh-pit!… Enfim, que aproveitem aquele momento!

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Vocês tiveram a oportunidade de uma vida – gravar em Abbey Road não é para todos… Como foi essa experiência?
Foi algo gigantesco para nós, um momento inesquecível. E só nos apercebemos do quão grandioso seria tudo aquilo quando lá entrámos… O edifício por fora é bonito, o mural grafitado e isso tudo são coisas engraçadas, mas quando entrámos lá dentro e vimos o quão diferente era de um estúdio comum… Desde as dimensões enormes da sala ao equipamento repleto de história que tínhamos ali, à nossa mercê… Acho que foi aí que percebemos que tínhamos de dar tudo o que tínhamos e aproveitar, não só aquelas condições que dificilmente algum dia voltaremos a ter, mas sim o momento em si, para que a música levasse consigo alguma da beleza do que estávamos a sentir.

Sentiram que havia no ar a mística deixada pelos grandes músicos que lá tocaram? É um sítio inspirador?
Completamente! É que para além de tudo aquilo que tínhamos em nosso redor, tivemos também a sorte de poder contar com o apoio dos produtores “da casa”, sendo que foram eles que trataram o nosso som. Foi tudo fantástico.

Dado que vocês são uma banda de “apenas” dois, é inevitável serem comparados a outras como os Black Keys, os White Stripes ou até mesmo os Royal Blood. Isso é bom ou mau?
É chato, mas não deveria. Somos fãs de todas essas bandas, mas também somos pessoas diferentes, logo faremos sempre música diferente. É essa a realidade, mesmo que a quiséssemos contornar. Eles trilharam o caminho para bandas de rock compostas por apenas dois elementos, mas não há como copiar a autenticidade de nenhuma delas.

Esta “conexão binária” que partilham enquanto banda simplifica o processo de fazer música? Precisam do vosso sossego para criar?
Sim. E muito. Do ponto de vista logístico tem os seus benefícios. Viajar é mais barato, é mais fácil arranjarmos tempo para ensaiar… Do ponto de vista artístico, é muito mais fácil tomar decisões em relação ao rumo criativo que queremos dar à nossa música, por exemplo, não há tantos egos com que lidar.

 

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João Jesus (entrevista)