curlymess.pt

Lisboa Electrónica Musiculture – Fim de semana campeão para a música electrónica

in Festivais/Música by

Dia #1 – Música electrónica é trendtopic

A música electrónica vive, provavelmente, a sua melhor fase desde que há memória. A prova disso é a quantidade de novas festas e festivais, exclusivamente dedicados a este género, que têm surgido nos últimos tempos. Em março, a Lx Factory recebeu o Lisboa Dance Festival, na passada semana assistíamos à primeira edição do Try Fest e agora regressamos à Lx Factory para a primeira edição do festival Lisboa Electrónica – Musiculture (LEM).

Durante dois dias, 25 labels (19 portuguesas e 6 internacionais) passaram por este novo festival que faz da música electrónica rainha e senhora desde as três da tarde até altas horas da madrugada.
Ao chegar à LX Factory, a oferta era mais-que-diversificada. Quatro palcos, palestras e workshops sobre indústria e produção musical, e electrónica para todos os gostos. Na zona exterior da Fábrica XL, o palco “Open Air” parecia ser o favorito. Ao estilo de uma “sunset party”, este espaço pareceu ser o favorito não só durante a tarde, mas também ao longo da noite, apesar da vasta oferta nos outros espaços. O interior da fábrica abrigou o palco principal, com os beats pesados de Daniel Bell e Mike Huckaby, ao início da noite, e mais tarde com nomes poderosos da label Dystopian, como Drumcell ou o berlinense Rodhad.

A lateral da fábrica ficou ocupada com o espaço Box, a fazer lembrar os grandes clubs europeus, num modo mais dançável e menos pesado que o vizinho palco principal. Abandonando a fábrica, houve quem preferisse o espaço Zoot, edifício da Lx Factory onde habitam alguns restaurantes fancy e no qual foi possível ouvir também o disco-joquismo da TINK! Records (com Hélder Russo, Daino e Kaspar), tendo a Príncipe Discos sido a rainha da noite com Marfox e Niggafox a fazerem – como sempre – tremer o chão.

Com o som bem alto (é isso que se pede num festival destes, certo?), a dimensão do cartaz fez com que, não tendo o dom da ubiquidade, não fosse possível assistir a tudo quanto se gostaria, mas a verdade é que a ideia de saltitar de espaço em espaço faz com que construamos o nosso próprio dj set, consoante o nosso estado de espírito. E isso é um conceito ganho, logo a priori.

 

Dia #2 – O dia em que o país (não) parou (de dançar)

O dia 13 de maio ficará marcado na História de Portugal, por múltiplas razões. A Internet explodiu com a visita do Papa a Portugal, com o tetracampeonato do Benfica e com a vitória de Salvador Sobral que trará a Eurovisão a Portugal no próximo ano. A par de todos estes acontecimentos, houve quem preferisse (continuar a) dançar. Não estranhámos a presença de mais público estrangeiro no segundo dia de LEM (qual Erasmus Party), uma vez que as atenções nacionais estavam bem mais dispersas. Ainda assim, o segundo dia manteve a fasquia elevada, trazendo grandes nomes, de grandes labels aos palcos que havíamos conhecido no dia anterior.

Mais uma vez o palco Open Air fez as delícias de quem por lá passou para dançar, desta vez ao som de André Leiria e Zé Salvador (Carpet & Snares Records) ou da Perlon (com Sammy Dee, Melchior Productions Ltd) e Zip). No espaço Zoot, o nosso destaque vai para a label nacional Labareda (com Sonja, EDND e Desflorestação) e para o (também nacional) Terzi, que já havíamos visto, uma semana antes, no Try Fest, pelos seus sets irrepreensíveis (como foram todos, aliás).

Se, na noite anterior, foi Rodhad quem fechou o palco principal com chave de ouro, as notas finais do LEM foram tocadas por DVS1, DJ e produtor de origem russa (São Petersburgo) que continua a ser uma das grandes referências quando falamos de música electrónica na cena europeia.

No dia em que o país parou, quem visitou a Lx Factory não parou de dançar. E, verdade seja dita, não podíamos ter escolhido melhor forma para celebrar um dia histórico (épico!) como este. Quando mencionarmos todos os acontecimentos do 13 de Maio de 2017, vamos também mencionar a estreia do Lisboa Electrónica Musiculture. Venha então uma segunda edição para celebrarmos o bicampeonato do LEM.

_____________________________

Joana Esperança Andrade (texto)

Inês Sousa Vieira (foto)

Últimos

Go to Top