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Lisb-On (Dia 2 ): Diva Nina e um mundo de africanidade

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O segundo dia do Jardim Sonoro esgotou todos os bilhetes disponíveis para uma tarde dedicada a sonoridades africanas — com nomes como Tonny Allen e Amp Fiddler — e uma noite de techno no feminino, com Cassy e a repetente Nina Kraviz.

O fim-de-semana ajudou a rechear o recinto mais cedo do que no dia anterior. Quando Ramboiage — o colectivo que leva para casa o prémio de nome mais fixe — subiram ao palco, já vários grupos de amigos, casais e famílias iam chegando ao Parque Eduardo VII para começar a dançar. Viajando entre sonoridades brasileiras e africanas, da MPB ao jazz, Francisco Coelho foi o primeiro DJ a subir ao palco, com um set que serviu de warm-up aos concertos que se seguiriam.

Porque se a noite teve duas rainhas — já lá chegaremos — os reis da tarde foram Amp Fidler e Tony Allen. Fidler domina as teclas e os pratos (e, claramente, o estilo também) oferecendo-nos um neo-soul cheio de boa onda, tanto em live set, como em dj set. Pode parecer contraditório, mas realmente não há nada melhor para sobreviver à tarde de calor do que estes ritmos quentes.

Tonny Allen já tem idade e estatuto para ser considerado uma lenda. Afinal de contas, estamos a falar do pai do afrobeat, um virtuoso da percursão que já acompanhou grandes nomes, como por exemplo Fella Kuti. No formato clássico de banda jazz — com teclas, sopros e contrabaixo — Allen balançou entre o seu afrofunk e alguns temas mais jazzísticos que, como não poderia deixar de ser, tiveram espaço para improvisar. No final, Amp Fidler voltou a subir ao palco, desta vez para ajudar numa versão do tema Moaning, dando uma lição a quem acha que o jazz já não é “a” cena.

Voltando à música electrónica, Cassy subiu ao palco ainda com luz do dia e acompanhou-nos até ao início da noite. O seu deep house veio carregadinho de samples que para além de nos fazer dançar (escusado será dizer que a ideia do festival é não pararmos de dançar. Nunca.) ainda nos fizeram sorrir, como por exemplo, o jingle da série Twillight Zone ou a voz de Lorna, em Papi Chulo, esse hit do início dos 00’s. Ouvia-se em loop “I feel love” quando Cassy se despediu e Nina Kraviz, sorridente e a dançar, já preparava os seus vinis no backstage.

Nina Kraviz já havia passado pelo Lisb-ON em 2015, naquela que foi para muitos a melhor edição do festival: passados dois anos, ainda recordamos os sets de Nicolas Jaar e Todd Terje como boas recordações. A memória já falha, mas desta vez Nina pareceu trazer um set mais diversificado, mostrando toda a sua energia em palco e fazendo jus ao cognome de Diva do techno como tanta gente já a apelidou. Claro que não se livrou de alguns “Olá, Nina, quero tratar de ti” por parte do público, mas tudo é desculpado depois de um set avassalador como foi o seu.

Falta apenas mais um dia para encerrarmos a edição deste ano do Jardim Sonoro, e domingo será a vez de Move D e Dj Koze, ambos da escola alemã.

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Joana Esperança Andrade (texto)

Inês Albuquerque (foto)

Licenciada em Som e Imagem e Mestre em Design de Som a música fala por si. Figura incontornável do panorama jornalístico musical, destaca-se pelas suas entrevistas, pela presença em concertos e festivais e pela colaboração no programa Portugal 3.0 de Álvaro Costa na RTP2.

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