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EU, TU, ELAS

in Arte+Cultura by

Eva Ribeiro estreia-se no mundo dos livros, mais concretamente, no erotismo literário com o livro Eu Tu e Elas. A Eva passou pela Confraria no passado mês de Fevereiro para nos apresentar o seu livro e aproveitei para lhe fazer uma entrevista para o Curly Mess.

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Que tipo de leitora és? Quais foram os teus primeiros contactos com a literatura? Quais as escritoras, escritores ou livros que fazem parte das tuas referências literárias?
Gosto imenso de ler e desde que me lembro que leio livros, sendo as minhas preferências literárias bastante eclécticas. Dou preferência a autores(as) clássicos(as) da literatura e foram esses mesmos a minha principal referência quer enquanto leitora, quer actualmente enquanto escritora, tais com: Eça de Queirós, Jane Austen (https://livrariaconfrariavermelha.shopk.it/search?q=Jane+Austen), Ernest Hemingway, Henry Miller e Anaïs Nin.

Eva, dentro do que podemos chamar literatura erótica, eu gosto bastante de Tsruyá Shalev e da Juliana Frank e tu tens alguma escritora, escritor ou textos que te inspiram ou que até influenciara a tua própria escrita? Como é que a literatura erótica entrou na tua vida?
Foram Henry Miller e Anaïs Nin os autores que mais influenciaram a minha escrita e também o meu gosto pela literatura erótica em geral. Mas a minha história e paixão pela literatura erótica começou quase como uma brincadeira de adolescente. Quando comecei a escrever, as primeiras histórias eram sobretudo romances, mas o tempo e o contacto que tive com alguns filmes e livros eróticos deram lugar a uma vontade incontrolável de eu própria querer descobrir (por mim) mais, aproximar-me (através da escrita) de novas experiências e fantasiar com algumas delas…e ao longo deste caminho alguns amigos, familiares e mesmo conhecidos gostaram tanto do que fui escrevendo que me empurram para o inevitável: continuar a escrever e publicar um livro.

Que tipo de escritora és? Porque gostas de escrever? De onde surgiu a tua motivação para escrever? Alguém a influenciou?
Considero-me uma escritora envergonhada, egoísta e gulosa. Envergonhada porque me escondo atrás de uma máscara e de um pseudónimo para preservar a minha verdadeira identidade; egoísta porque primeiro escrevo para mim, para ter prazer com as palavras que desenham as personagens num cenário e dão corpo a uma história; e gulosa porque quero sempre mais, mais das personagens, mais da história…
E pegando no título do livro “Eu, Tu e Elas…” percebe-se a relação de cumplicidade e proximidade que existe com as histórias…o Eu representa-me a mim, o Tu o(a) leitor(a) e Elas as personagens que se passeiam pelas histórias que escrevi.

Como é o teu processo criativo? Utilizas algum material ou técnica para escrever, ou é pura e simplesmente inspiração momentânea?
Basicamente são as minhas experiências de vida, a minha vida quotidiana e o meu imaginário que fazem tudo acontecer.

O mercado editorial teve um bummm de publicações eróticas nos últimos tempos, na tua opinião, quais as características de uma boa escrita erótica?
Uma boa escrita erótica tem de ser obrigatoriamente capaz de me fazer viajar sem sair do local onde me encontro a ler o livro; tem de literalmente me dar prazer e não me refiro apenas ao prazer que retiro da leitura de uma boa história, mas prazer no sentido de me fazer ter vontade de mergulhar no livro e ao mesmo tempo provocar sensações.

Foto 2
Quando escreves, que tipo de leitora/leitor imaginas? Ou nem sequer pensas nisso?

Claro que penso nisso, imagino um(a) leitor(a) que gosta de literatura erótica e que gosta de desfrutar de todas as sensações que um livro destes lhe pode proporcionar.

No quê começar a escrever e partilhar o que se escreve afectou a tua vida?

Acima de tudo escrever um livro, este livro foi a concretização de um sonho, de uma paixão de longa data….e isso marcou-me profundamente.
Quando na apresentação do teu livro no passado dia 5 de Fevereiro na Confraria Vermelha surgiste de máscara lembrei da escritora venezuelana, Luisa Valenzuela pois a da máscara é o leitmotiv na sua literatura. Não o é na tua mas não está intimamente ligada a ti como escritora, o que significa para ti? Precisamente por entender que apesar de ter havido este bummm de publicações eróticas, considero que ainda existem alguns preconceitos não só relativamente a quem lê, mas também em relação a quem escreve…daí ter escolhido uma máscara para ocultar a minha verdadeira identidade e ao mesmo tempo que me permite escrever sem “filtros”.

Foto 3
O que podemos esperar de Eu, Tu e Elas…?

De Eu, Tu, e Elas pode esperar-se uma verdadeira caixa de pandora, aquela que depois de se ter entre mãos não deixa outra alternativa a não ser abrir e seguir o rumo das 5 histórias e vestir a pele das personagens que por elas deambulam, penetrando assim num intrincado mundo de fantasias sexuais, que aguçam o apetite sexual do(a) leitor(a), fazendo-o(a) querer a todo o momento ultrapassar aquela linha fina que liga a fantasia à realidade.

O que mais gosta nas historias do Eu, Tu e Elas…?

É saber que o(a) leitor(a) não vai resistir…vai querer simplesmente deixar-se ir…o saber que são viciantes, envolventes e não vão deixar o(a) leitor(a) indiferente…convidando-o(a) a entrar e a perder-se em cada uma das histórias do livro.

De onde vêm as tuas personagens? São inspirados em pessoas reais ou em fatos ou pura imaginação?

As personagens de Eu, Tu e Elas são pessoas reais, que fazem ou fizeram parte da minha vida, e cuja presença acabou por ser tão marcante que me fez escrever sobre elas. Naturalmente ocultei os seus verdadeiros nomes para preservar a sua identidade, mas não as poupei em nenhuma das histórias que escrevi. Desenhei-as como as sinto ou senti….caracterizei-as como as vejo ou vi e escrevi uma história ficcional em volta disso mesmo e que na realidade gostava que tivesse sucedido. Mas desenganem-se se pensam que “Eu, Tu e Elas..” é um livro erótico de mulheres para mulheres porque isso não corresponde à realidade, é sim um livro onde elas assumem um papel importante e que umas vezes deambulam sozinhas, outras com outras mulheres, outras com um homem, outras com ambos, em suma, um livro para eles, para elas, para eles e elas.

E sobre as 5 histórias, aqui fica uma pequena súmula:
Daniela é uma secretária submissa que se rende por completo às fantasias da sua chefe.
Eva é uma amiga de longa data que é submetida ao poder de um polícia corrupto nos calabouços da esquadra. 
Raquel é uma ninfomaníaca que acompanha a sua amiga na noite do seu aniversário e partilha com ela o presente que ela própria gostaria de receber: uma noite de sexo desenfreado envolvido em mistério e secretismo.
Mara e Sofia são duas enfermeiras que envolvem e se envolvem no serviço de urgência do Hospital.
Iolanda é uma prostituta que se oferece deliberada e descaradamente num bar local e nos leva com ela neste caminho de perdição.

E ao(à) leitor(a) resta agora o mais fácil: comprar o livro e retirar dele o mesmo prazer que eu tive em escrevê-lo. (https://livrariaconfrariavermelha.shopk.it/product/eu-tu-e-elas-de-eva-ribeiro)

Forma mais ampla - não sei se fazem aqueles rectângulos, com a cara da colaboradora e uma mini bio, que aparecem as vezes no fim das publicações. Livreira disléxica e bilinguisticamente baralhada que as vezes gosta de fazer que escreve. Promotora da primeira livraria de Mulheres em Portugal, a Confraria Vermelha, onde todas as pessoas que gostam de ler e conviver são bem vindas. Figura incontornável do movimento "Se não há mimos não é a minha revolução" que procura espalhar sororidade e comprovar que os unicórnios existem. Wiiiiiii!!!!!

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